Atletas de elite de corrida de rua e outras modalidades de endurance estão apostando no uso de canabidiol (CBD) por motivos que não estão diretamente ligados a “melhora mágica de performance”, mas sim a aspectos de recuperação, bem-estar e equilíbrio corporal, conforme avaliação científica e regulamentação atual de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Mundial Antidoping (WADA). Ao contrário de muitas promessas de mercado, não há evidências robustas de que o CBD atue como um aumentador direto de rendimento físico, isto é, ele não melhora diretamente parâmetros como VO₂max, tempo de corrida ou potência aeróbica de maneira consistente em estudos controlados; ensaios clínicos recentes indicam que doses moderadas de CBD não alteram significativamente esforço percebido ou desempenho em corrida submáxima ou máxima.
O que a ciência tem observado é que o CBD pode modular respostas do organismo que são importantes para atletas. Dentre os efeitos potenciais mais citados estão propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, que podem ajudar na recuperação muscular após treinos intensos e reduzir desconfortos musculares e inflamação que se acumulam ao longo de uma temporada de treinos pesados. Isso ocorre porque o CBD interage com o sistema endocanabinoide do corpo, que regula processos ligados à dor, inflamação e homeostase geral, ainda que o mecanismo exato não esteja totalmente esclarecido e a maioria dos efeitos observados seja indireta.
Outro ponto frequentemente destacado tanto na literatura científica quanto nos relatos de praticantes é o uso do CBD para redução da ansiedade e melhora da qualidade do sono. Atletas de elite, especialmente em esportes de resistência com alta carga de treinos e pressão competitiva, relatam dificuldades frequentes relacionadas ao descanso e ao acúmulo de estresse, e estudos sugerem que o CBD pode favorecer ciclos de sono mais restauradores e reduzir sensações de ansiedade, o que teoricamente favorece a recuperação e a prontidão para treinos e competições subsequentes.
Regulamentarmente, o CBD não está na lista de substâncias proibidas pela WADA desde 2018, o que significa que atletas podem utilizá-lo legalmente em competições, desde que o produto seja livre de tetrahidrocanabinol (THC) ou esteja dentro de limites extremamente baixos, já que o THC permanece restrito por suas propriedades psicoativas e dopantes. No Brasil, a Anvisa permite a pesquisa e o uso de CBD em produtos medicinais, e decisões recentes têm aberto espaço para estudos científicos nacionais que investigam seus efeitos em esportistas, inclusive analisando marcadores inflamatórios e recuperação muscular.
É importante ser crítico quanto às alegações de mercado: muitos produtos rotulados como CBD variam em qualidade e composição, e nem todos têm evidência científica convincente de eficácia. A segurança de uso, efeitos colaterais e interações com outras medicações ainda são aspectos que exigem acompanhamento médico e orientação de profissionais de saúde e esporte antes de incorporar o CBD na rotina de um atleta.
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