Vulcabras mudará sua marca institucional
01/02/2021 | 14:25:54

Antes chamada “Vulcabras Azaleia”, companhia deve tirar do nome a marca de calçados femininos, que foi licenciada para Grendene ano passado; mudança reflete concentração em esportes, com Mizuno, Under Armour e Olympikus

Na última sexta-feira, 29, a Vulcabras Azaleia S. A, presidida por Pedro Grendene Bartelle, divulgou fato relevante em que afirmou ter fechado a primeira etapa da operação envolvendo a aquisição das operações da Mizuno no Brasil, numa transação estimada em R$ 40 milhões, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O acordo para compra da Mizuno – até então sob os cuidados da Alpargatas – começou a ser tecido em setembro do ano passado. Com a segunda e definitiva etapa da aquisição, que se realiza até março, a Vulcabras negociou com a japonesa Mizuno Corporation o direito de produzir, vender e distribuir a marca no País até 2033, com possibilidade de renovação do contrato. Embora a Mizuno tenha cinco lojas próprias por aqui, o objetivo é fomentar seu e-commerce e as vendas em multimarcas – hoje, a marca está em cinco mil PDVs, mas a Vulcabras como um todo atende 19 mil.

Como também ano passado a Vulcabras, buscando concentrar sua atuação em esportes, havia licenciado por três anos sua marca feminina Azaleia à Grendene, a companhia deve deixar de usar institucionalmente a marca Vulcabras Azaleia e passar a se chamar apenas Vulcabras (atualmente, no entanto, o site da companhia que ainda está no ar é o da Vulcabras Azaleia). A mudança reflete o fato de a empresa passar a se dedicar exclusivamente às marcas esportivas Mizuno, Under Armour e à brasileira Olympikus.

Em entrevista ao jornal Valor, Pedro Bartelle afirmou ter investido R$ 300 milhões em suas fábricas nos últimos três anos e contratado 1.000 pessoas já prevendo a expansão do negócio com os ativos da Mizuno, que em 2019 faturou R$ 444 milhões. A concentração no segmento esportivo, segundo o executivo, irá fazer a companhia ganhar mercado e ampliar margens de lucro.

Já em entrevista ao Meio & Mensagem, em 2019, quando estava colocando no mercado a primeira coleção para a americana Under Armour criada no Brasil, ele já deixou clara sua visão de negócio: “Não acredito em pro­dução para terceiros nem gerenciamento parcial dos negócios. Adquirimos a Under Armour do Brasil e a consolidamos na Vul­cabras. O contrato consiste, além do licen­ciamento de dez anos, em gestão total, com produção, importação, marketing e, prin­cipalmente, com a possibilidade de criar produtos. Isso é muito importante porque requer um relacionamento próximo da gestão global da marca, do setor de de­senvolvimento, de sourcing e de marke­ting, para que entendam as necessidades e nos liberem para criar esses produtos”.

O caso da Mizuno deve ser um pouco diferente, porque não se trata de adaptar peças de vestuário ao gosto local (globalmente, 70% dos negócios da Under Armour são vestuário e 30% calçados), mas de um nicho de produtos bem específico, que é o de tênis de corrida de alta performance. E pelos comunicados, o acordo com os japoneses não prevê criação local de produtos.

De toda forma, a Vulcabras passa a ter um portfólio que parece se completar bem, sendo a Olympikus sua marca de entrada, com produtos financeiramente mais acessíveis, Under Armour tem uma parte importante em vestuário e artigos premium para uso em academias e a Mizuno, foco total em running e alta performance.

Quando falou ao M&M, em 2019, Bartelle contou que a Olympikus representava 75% dos negócios da companhia e era líder em volume de pares no Brasil. Mas já se animava também com o acordo selado com a Under Armour, que significava seu ingresso no segmento premium. Agora, com Mizuno, os planos são correr mais rapidamente ainda, principalmente para driblar os efeitos negativos da pandemia que afetam todos os setores ultimamente.

Segundo os últimos dados divulgados, relativos até ao terceiro trimestre de 2020, a companhia teve prejuízo acumulado de R$ 23 milhões em relação a um lucro líquido de R$ 98 milhões no período equivalente em 2019. O resultado foi o impacto da pandemia no primeiro semestre; já no terceiro, a Vulcabras reportou alta de 3,9% no lucro, em relação ao terceiro trimestre de 2019, atingindo R$ 43,4 milhões.


Fonte: Meio & Mensagem
*Crédito da imagem no topo: Reprodução/Mizuno