TRANSTORNOS ALIMENTARES E ATIVIDADES FÍSICAS
08/06/2021 | 09:41:25

Os transtornos alimentares são tipificados pela American Psychiatnc Association (APA, 2013) como psicopatologias relacionadas a mudanças disruptivas nos hábitos alimentares e a visão dimórfica sobre a própria imagem. A alotriofagia, o Transtorno de Ruminação, o Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo, a Anorexia Nervosa, a Bulimia Nervosa e o Transtorno de Compulsão Alimentar são exemplos de transtornos relacionados as necessidades alimentares que possuem origem multifatorial e sistêmica.
Não se pode apontar apenas uma razão causal para o desenvolvimento de transtornos alimentares, embora alguns fatores possam contribuir para o seu surgimento, como exemplo a da ansiedade, depressão, autoestima rebaixada, excesso de pressão social relacionada a padronização do corpo e exposição a alguns tipos de violências são fatores comuns associados.
A adoção de práticas esportivas e acompanhamento nutricional são indicados, contribuindo para o alívio da ansiedade, readequação da autopercepção corporal, estimulo ao desenvolvimento de relações sociais saudáveis e acesso a informações corretas de cuidado integral. Exercícios voltados para controle adequado do sistema respiratório e cardiovascular contribuem para a produção de neurotransmissores relacionados ao bem-estar e a satisfação, como a dopamina e a serotonina, favorecendo a sensação de satisfação e autocontrole frente aos sintomas predisponentes.
A avaliação do local onde será realizada as atividades físicas também é um ponto importante a ser debatido, ambientes que estimulam a autoavaliação continua e que estimulam a ideia de “corpo ideal” podem não contribuir para a melhoria dos sintomas. Por isso, torna-se importante dentro avaliação física uma conversa com o(a) aluno(a) sobre suas impressões a respeito de si mesmo e do local onde a prática será aplicada, permitindo o desenvolvimento visão ampla sobre seus objetivos e resultados esperados.
A identificação de sintomas e o encaminhamento a profissionais de psicologia e psiquiatria também são fundamentais para o cuidado frente as características subjetivas e neurofisiológicas do transtorno. Neste sentido, a busca por atendimento em clínicas de cuidado em saúde mental e o acesso a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são fundamentais no cuidado clínico, caracterizando mais uma vez, a importância da assistência em rede e a necessidade de uma maior vinculação entre os espaços de prática e profissionais de atividade física junto aos centros especializados de atenção e cuidado em saúde mental.


Henrique Landim Santos
Psicólogo Clínico (CRP: 02/22907)
Especialista em Psicopatologia (Faculdade de Minas)
Psicólogo residente em saúde mental na RAPS (IMIP)