A primeira maratona feminina nos Jogos Olímpicos aconteceu em 1984, nos Jogos de Los Angeles. A suíça Gabrielle Andersen-Scheiss, uma suíça que conseguiu fazer história graças à sua garra e surpreendente força ao terminar a maratona feminina dos Jogos de Los Angeles, 1984, foi uma das participantes da prova. A sua chegada foi um dos momentos mais marcantes da prova. A atleta chegou na 37ª posição, com o tempo de 2h48min42, quase caindo na linha de chegada. A sua determinação e espírito olímpico emocionaram o mundo e se tornaram um símbolo de superação.
Antes da maratona feminina nos Jogos Olímpicos, as mulheres já participavam de maratonas de forma extraoficial. Por exemplo, a norte-americana Roberta Gibb correu a Maratona de Boston sem inscrição, escondendo-se entre os arbustos e começando a correr depois da largada.
A participação das mulheres na maratona tem aumentado significativamente desde que elas foram autorizadas a participar. Em 2018, mais de 30% das pessoas que terminaram as maratonas eram mulheres, superando a participação masculina.
A prova em si já entraria para a história de qualquer maneira, já que era a primeira vez que seria disputada entre as mulheres. Mas Gabriela se destacaria entre as 50 que disputaram a maratona e mudaria a história do atletismo, elevando a expressão esforço físico a um novo patamar.
No dia da prova um calor exorbitante atingia as ruas de Los Angeles e a temperatura seria mais um agravante para que as maratonistas completassem o percurso. A umidade, também alta, prejudicava a respiração. Mas Gabriela já vinha sofrendo, assim que a prova começou, visivelmente mais que suas concorrentes.
A atleta demonstrava fortes sinais de desidratação e desorientação, pelo esforço que vinha fazendo. Além isso, uma forte cãibra na perna esquerda tornava o desafio ainda maior para a suíça.
Assim que adentrou o estádio olímpico, na reta final da maratona, Gabriela já estava esgotando seus últimos esforços. A atleta demonstrava uma garra incrível para completar a volta na pista olímpica e, os 200m finais, foram um verdadeiro calvário, acompanhado pelos gritos alterados dos presentes no estádio.
De pé, os espectadores tentavam dar forças a uma Gabriela cambaleante. Nos últimos 200m, Gabriela andava como um zumbi, lenta, totalmente pendendo para o lado esquerdo e arrastando os pés. Não à toa levou 10 minutos para completar este curto percurso.
Assim que se aproximava da linha de chegada, os gritos aumentavam e as pessoas se chocavam com a força daquela mulher de 39 anos. Gabriela sabia que aquela seria sua última chance de disputar uma maratona olímpica, não almejava a medalha de ouro, mas terminar o percurso era uma questão de honra.
Ao cruzar a linha de chegada, desfaleceu nos braços dos paramédicos, que a acompanhavam desde sua entrada no estádio. Eles, inclusive, ofereceram ajuda à atleta, mas ela sabia que se aceitasse seria desclassificada, por isso lutou sozinha.
Gabriela chegou na 33ª colocação dentre 44 maratonistas que finalizaram a prova. Depois, após o ocorrido, foi informado que a atleta teve um quadro grave de hiponatremia, uma queda brutal no seu nível de sódio no sangue. Isso justificava suas alterações metabólicas, cardiovasculares e cerebrais, com a mente confusa e o corpo cambaleante.
19 anos depois - Em 2003, numa entrevista ao programa Esporte Espetacular, a suíça rememorou o momento. "No final, quando começou a ficar difícil eu pensei, são os Jogos Olímpicos, é minha única chance, eu vou terminar. Não importa o que aconteça. Foi assim nos últimos metros: eu vi a linha de chegada e pensei, eu tenho que terminar", lembra.
"O que mais me surpreende é que, não dias depois, mas anos depois, pessoas que não me conhecem, quando eu conto que estava nas Olimpíadas, falam: ah, você é aquela garota que estava na maratona?. Isso ainda me surpreende", contou.
Mesmo assim, ela diz que ainda não sentia orgulho. "Não percebi que seria um símbolo de determinação. Não sabia o quanto minha imagem estava impressionante. Foi um choque", conclui.
Gabriela hoje tem 70 anos e vive em Saint Valle, no estado americano de Idaho.
Uma matéria especial feita pelo mesmo programa global lembra bem os momentos de superação de Gabriela nos Jogos de 1984.
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