Luciana, tenho 37 anos e, aos 25, optei por ser mãe. Foi uma boa gestação, e o amor da minha vida nasceu saudável, graças a Deus. Mas, durante a gestação, tive um ganho de peso de 36 kg, totalizando 103 kg na reta final. Após isso, continuei com o mesmo peso, até porque, com toda a dinâmica da vida, acabei priorizando mais minha função de mãe, mulher e dona de casa do que cuidar de mim mesma. Eu não me importava em cuidar de mim, até que um dia, em uma atividade comum, ao ir comprar roupa para mim, percebi que já não estava mais dentro dos padrões para encontrar com facilidade roupas no tamanho que eu usava na época. Hoje, as coisas mudaram bastante, mas na época eu sofria usando o tamanho 50 e não encontrei nenhuma peça que coubesse em mim. Voltei para casa triste e arrasada, e foi aí que a ficha caiu. Eu teria que mudar meus hábitos alimentares, a minha forma de pensar e, consequentemente, fazer exercícios físicos, porque tudo começa pela mente; ela comanda o resto. Então, decidi começar. Confesso que, para mim, o início foi fácil, porque eu já tinha o mais importante, que era o querer. O difícil mesmo foi permanecer, pois sempre seremos tentados e provocados por maus hábitos alimentares, seja por alguma emoção ou por influência de outras pessoas. O difícil é se manter resiliente e saber que o seu maior adversário é você mesmo!
E lutei. Fiz exercícios em casa, depois fui para a academia. Lá, fiz aeróbico, zumba, musculação, esteira, mas parecia que era insaciável. Tinha resultados, era bom, mas sabe quando algo está reservado para nós e não conhecemos imediatamente? Para chegar lá, precisamos passar por um processo. Foi o que aconteceu comigo. Na academia, conheci um grupo de meninas, incluindo o grupo de Kênia. Elas tinham a corrida como cardio, e, através delas, fui convidada para participar de um treino. Apesar de toda a minha dinâmica de exercícios físicos, eu tinha medo, achava que não conseguiria. Kênia, com toda a sua humildade, me ofereceu apoio, e não só ela, mas também todas as meninas que participavam do grupo – Dayane, Fabiana, Edvania, Maria. Elas foram muito motivacionais e me encorajaram com a seguinte frase: "Estamos todas juntas, mas o tempo é seu, faça no seu tempo." E foi a primeira vez que experimentei a corrida. Daí, então, começou uma série de corridas. Através da corrida, pude conhecer muito mais do que um pequeno grupo. O grupo de Kênia me levou para a corrida, mas o gosto de correr veio através de outra pessoa que conheci na corrida, Izabel Correia. Ela, mais velha do que eu, era dedicada e seu potencial me impressionou. Falei: "Quando eu crescer, quero ser igual a ela". E assim, nos tornamos não só amigas do corre, mas também companheiras de treino e amigas do dia a dia. E pensa que parou por aí? A corrida é boa demais para ser vivida só em dupla. Decidimos, eu e Izabel, trazer para os nossos treinos a nossa baixinha Taís, e o trio estava formado! Começamos a nos desafiar. Fizemos nosso primeiro "bate e volta", fomos de Limoeiro, nossa cidade, até Feira Nova e voltamos fazendo o mesmo percurso. Foi lindo, emocionante, desafiador. E o nosso primeiro 21 km jamais esqueceremos! Mas a corrida é tão boa que não ficou só no trio. Tive o prazer de conhecer a nosso maior ícone da cidade. Para ela, a corrida é liberdade. Ela é o nosso exemplo e inspiração. Costumamos dizer que ela é a nossa mãe, a mãe do corre. Claro que ela não foi a primeira a iniciar a corrida na nossa cidade, mas com certeza ela leva esse nome com muito orgulho. O nome da braba é Lia Felipe, e que honra poder chamá-la de amiga do corre. Com ela, pude sentir o gostinho do pódio. Lia, você me ensinou que todos somos capazes, basta acreditar, ter perseverança e se dedicar. O pé que chega ao pódio é o resultado de um longo trabalho feito com os dois pés no chão, um passo de cada vez. E, mais importante, não querer ser melhor que ninguém.
Hoje, faço parte do grupo Madrugão Runners 🙅🏽♀️💚, e tenho muito carinho por todos que lá estão. Parabenizo cada um de vocês, não só deste grupo, mas também de outros que, por alguma superação, decidiram usar a corrida como aliada para aliviar qualquer dor. Falo da corrida porque foi o que me libertou. Tanto que levei esse exemplo para dentro de casa, incentivando minha família. Hoje, meu sobrinho Igton participa, ele também é meu parceiro de treino. Levo minha filha para as corridas. Inclusive, tenho uma história inusitada: antes de tomar gosto pela corrida, eu tinha um irmão que corria antes de mim, e eu o chamava de doido. Hoje em dia, ele não corre mais, e vejam quem é a "doida" agora! Kkkk... Sou eu. E acredito que muitos de vocês, corredores, já levaram esse nome. Mas saibam que, sim, somos os loucos! Os loucos que não usam medicamentos. O exercício também é saúde! Enquanto praticamos, diminuímos a ansiedade, a depressão, os níveis de estresse, a hipertensão, a obesidade, a insônia, e até a ida ao CAPS! Kkkk... E aí, o que estão esperando para começar? Se eu consegui, vocês também conseguem! Lembre-se sempre: aquilo que não te desafia, não te faz crescer. E não é sobre ser melhor que alguém, é sobre dar o melhor de si, ou o suficiente para não desistir de você mesmo! Isso é o que eu passo todos os dias para incentivar meu grupo de perda de peso, o "Desafio por 1 Semana". Não poderia encerrar sem falar dele, das minhas meninas, onde fui apoio e também sou apoiada. Claro, temos momentos de altos e baixos, somos seres humanos, mas eu e as meninas Ana Paula, Lúcia, Tati, Taís, Izabel, Luciana Rocha, Fabiana e Rafaela repetimos todos os dias o nosso maior desafio: somos nós. O segredo é nunca desistir.
E quem é a nova Luciana depois do corre? Acredite se quiser: jamais serei a mesma de antes. Hoje, com 69 kg, já cheguei aos 60. Sou superação! Fui exemplo, mas também precisei ser motivada por alguém para continuar. Sou mulher, mas tive que aprender nesse meio, como uma menina que dá os primeiros passos, aos poucos, até crescer. Ainda faz pouco tempo. Tenho muito o que aprender, mas posso afirmar que a corrida é a minha terapia, e eu faço com o maior prazer.
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