Durante o verão, a incidência de cálculos renais — popularmente chamados de pedra nos rins — pode aumentar em até 30%, e esse dado merece atenção especial dos corredores de rua. O principal fator por trás desse crescimento é o calor intenso, que eleva significativamente a perda de líquidos pelo suor. Quando essa perda não é compensada com hidratação adequada, o organismo passa a produzir uma urina mais concentrada, favorecendo a cristalização de sais minerais nos rins. Para quem corre ao ar livre, muitas vezes em horários de sol forte, esse risco é ainda maior.
Corredores de rua costumam treinar com frequência elevada e, em muitos casos, realizam treinos longos ou provas sob altas temperaturas. Nessas condições, a desidratação pode ocorrer de forma silenciosa, sem sede aparente, o que engana até atletas experientes. O corpo perde água e eletrólitos, o volume urinário diminui e substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico passam a se concentrar, aumentando a probabilidade de formação dos cálculos renais. No verão, esse processo se intensifica, especialmente quando o atleta não cria o hábito de se hidratar antes, durante e após o treino.
Outro ponto relevante é a alimentação. Dietas comuns entre corredores, muitas vezes ricas em proteínas, suplementos sem orientação profissional, excesso de sal e consumo inadequado de isotônicos, podem sobrecarregar os rins. O excesso de sódio, por exemplo, aumenta a eliminação de cálcio pela urina, enquanto altas doses de proteína podem elevar os níveis de ácido úrico. Quando esses fatores se somam à desidratação típica do verão, o risco de pedra nos rins cresce de forma significativa.
Há também comportamentos comuns no meio da corrida que contribuem para o problema. Muitos corredores evitam beber água durante o treino por medo de desconforto gástrico, queda de ritmo ou necessidade de parar para urinar. Essa estratégia, além de equivocada, pode comprometer não só o desempenho, mas a saúde renal. No calor, o corpo continua perdendo líquidos mesmo em treinos de intensidade moderada, e ignorar essa reposição é um erro que cobra seu preço.
Os sintomas da pedra nos rins podem surgir de forma súbita e intensa. Dor forte na região lombar, que pode irradiar para o abdômen e virilha, náuseas, vômitos, ardência ao urinar e presença de sangue na urina são sinais de alerta. Para o corredor, isso significa afastamento imediato dos treinos, queda abrupta de performance e, em casos mais graves, risco de infecções urinárias e complicações que exigem tratamento médico prolongado.
A prevenção passa, antes de tudo, por hidratação consciente e constante ao longo do dia, não apenas durante o treino. Um indicador simples e eficaz é observar a cor da urina, que deve estar clara. Além disso, é fundamental ajustar a ingestão de eletrólitos, evitar excessos alimentares e suplementações sem necessidade real, sempre com orientação de nutricionistas ou profissionais de saúde. No verão, também é recomendável adaptar os horários de treino, priorizando o início da manhã ou o fim da tarde, usar roupas leves e planejar percursos com acesso à água.
Para o corredor de rua, entender que a saúde dos rins faz parte do treinamento é essencial. O aumento de até 30% nos casos de pedra nos rins durante o verão não é apenas um dado estatístico, mas um alerta claro de que correr bem vai além de planilhas e quilometragem. Cuidar da hidratação, da alimentação e dos sinais do corpo é tão importante quanto escolher um bom tênis ou seguir um plano de treinos, especialmente nos meses mais quentes do ano.
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