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Suor excessivo: quando o desconforto pode ser hiperidrose

O suor excessivo é algo relativamente comum entre corredores de rua, especialmente em treinos intensos ou realizados sob altas temperaturas, mas existe um ponto em que o desconforto deixa de ser apenas uma resposta natural do corpo ao exercício e pode indicar um quadro chamado hiperidrose. Diferente da transpiração normal, que tem a função essencial de regular a temperatura corporal, a hiperidrose é caracterizada pela produção exagerada de suor, muitas vezes desproporcional ao esforço físico ou às condições climáticas, podendo ocorrer inclusive em repouso.

Para quem corre, é importante entender essa diferença. Suar bastante durante um treino no verão é esperado, mas quando o suor é excessivo a ponto de encharcar roupas em poucos minutos, escorrer constantemente pelo rosto, mãos ou pés, causar dificuldade para segurar objetos ou gerar constrangimento social frequente, o sinal de alerta deve acender. A hiperidrose pode afetar regiões específicas, como mãos, pés, axilas e rosto, ou ser generalizada, atingindo grandes áreas do corpo, o que interfere diretamente no conforto, no rendimento esportivo e até na saúde da pele.

No contexto da corrida de rua, o problema vai além do incômodo. O suor em excesso favorece desidratação acelerada, aumenta a perda de eletrólitos e pode contribuir para cãibras, queda de performance e maior risco de problemas como hipotensão e fadiga precoce. Além disso, pés constantemente úmidos aumentam a chance de bolhas, assaduras, micoses e lesões, enquanto o excesso de suor no rosto pode comprometer a visão e a concentração durante o treino ou prova.

As causas da hiperidrose variam. Em muitos casos, ela é primária, sem uma doença associada, geralmente começando ainda na infância ou adolescência e persistindo na vida adulta. Em outros, pode ser secundária, ligada a fatores como alterações hormonais, distúrbios da tireoide, ansiedade, obesidade, uso de determinados medicamentos ou outras condições de saúde. Por isso, tratar o suor excessivo apenas como “normal de quem corre” pode mascarar um problema que merece investigação médica.

Outro erro comum entre corredores é tentar compensar o suor excessivo apenas aumentando o consumo de água, sem atenção ao equilíbrio de eletrólitos. Quem transpira demais perde não só líquidos, mas também sódio e outros minerais importantes, o que pode levar à hiponatremia quando há ingestão exagerada de água sem reposição adequada. Ou seja, mais suor não significa apenas beber mais água, mas hidratar de forma inteligente e individualizada.

O diagnóstico da hiperidrose é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde, geralmente um dermatologista ou médico do esporte. Existem tratamentos eficazes, que vão desde antitranspirantes específicos de uso clínico, medicamentos, procedimentos como a toxina botulínica em casos localizados, até mudanças no estilo de vida e estratégias específicas para o esporte. Para corredores, pequenas adaptações como escolha correta de roupas técnicas, meias adequadas, horários de treino e planejamento de hidratação já fazem diferença, mas não substituem o tratamento quando há um quadro instalado.

Em resumo, suar é normal e necessário para quem corre, mas suar demais o tempo todo não deve ser ignorado. Quando o suor deixa de ser apenas uma consequência do esforço e passa a impactar o rendimento, o conforto e a qualidade de vida, é hora de investigar. Reconhecer a hiperidrose não é exagero nem frescura, é cuidado com a saúde e com a longevidade na corrida de rua.



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