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Museu Histórico Anita Garibaldi

O Museu Histórico Anita Garibaldi é um museu de história regional fundamental para compreender a trajetória de Anita Garibaldi e os eventos políticos do sul do Brasil no século XIX, mas ele não está no Pará nem na Amazônia — o museu está localizado em Laguna, no sul do estado de Santa Catarina (Brasil), cidade natal da heroína conhecida como Heroína dos Dois Mundos.

O edifício que hoje abriga o museu é, por si só, um dos monumentos mais antigos da região sul do Brasil. A construção teve início em 1735 e foi concluída no final do século XVIII, com alicerces e paredes erguidos com materiais típicos da época, como areia, pedra e cal misturadas a conchas trituradas dos sambaquis locais. Originalmente conhecido como Paço do Conselho, o prédio também foi chamado de Casa de Câmara e Cadeia, porque no piso superior funcionava a Câmara de Vereadores e, no térreo, o corpo da Guarda Municipal.

Este espaço histórico foi palco de um episódio marcante na história política da região: no dia 22 de julho de 1839, as forças farroupilhas, com o apoio de Giuseppe Garibaldi, tomaram a Vila de Laguna e proclamaram a chamada República Juliana — um dos eventos que marcam a participação dos movimentos liberais brasileiros do século XIX. A própria assinatura dessa proclamação ocorreu no prédio onde hoje o museu funciona.

O acervo do Museu Histórico Anita Garibaldi reúne objetos e documentos que ajudam a contar a história de Laguna, da revolução farroupilha e da vida de Anita Garibaldi, cuja trajetória vai além de ser companheira de Giuseppe. Nascida em 1821 na própria Laguna, Anita tornou-se figura central nas lutas revolucionárias tanto no Brasil quanto posteriormente na Itália ao lado de Garibaldi — papel que a transformou em símbolo de coragem, resistência e participação feminina nos movimentos de libertação do século XIX.

Entre os objetos preservados estão peças arqueológicas de alto valor vindas dos sambaquis da região, fragmentos de sociedades pré-coloniais, bem como itens ligados à formação sócio-cultural lagunense. O acervo inclui peças de porcelana, utensílios domésticos e móveis antigos, além de objetos que pertenciam a figuras importantes da história local, como Jerônimo Francisco Coelho, considerado pai da imprensa de Santa Catarina, e o acervo musical relacionado ao músico popular Pedro Raymundo das décadas de 1950 e 1960.

Uma parte particularmente simbólica do acervo — também destacada em outras instituições ligadas à memoriação de Anita — é a urna contendo um pouco da terra da sepultura inicial da heroína, na Itália, e objetos ligados às suas andanças e conflitos; além disso, há peças militares e fragmentos relacionados aos períodos de luta, como o mastro de uma das embarcações usadas nos conflitos.

O prédio foi convertido oficialmente em museu em 31 de julho de 1949, em homenagem ao centenário da morte de Anita Garibaldi, e sua preservação se tornou parte da identidade histórica de Laguna — cidade que se relaciona diretamente com os eventos da Revolução Farroupilha e as lutas inspiradas pelos ideais republicanos e liberais do século XIX.

O museu está situado na Praça República Juliana, no Centro Histórico de Laguna, e funcionando atualmente em horários regulares para o público (geralmente das 10h às 16h, de terça a domingo), embora seja recomendável confirmar dias e horários antes da visita devido a variações sazonais ou agendamentos especiais.

Visitar o Museu Histórico Anita Garibaldi é entender não apenas a vida de uma das figuras mais emblemáticas da história brasileira e italiana, mas também mergulhar nas memórias de um período turbulento do Brasil do século XIX, percebendo como as tensões entre monarquia e ideais republicanos moldaram a vida política, cultural e social do sul do país.



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